Queremos mais, muito mais!

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Muito se tem falado que empoderamento, feminismo, igualdade de gênero e diversidade são assuntos “batidos” ou meramente “modinha”. Acreditar nisso é fechar os olhos para as batalhas ainda sendo travadas, todos os dias, nas vidas de milhares de mulheres, que ainda não atingiram direitos e oportunidades.

Dados publicados pelo IBGE referentes a 2018 indicam que a desigualdade é real: (…) Em 2018, o rendimento médio das mulheres ocupadas com entre 25 e 49 anos de idade (R$ 2.050) equivalia a 79,5% do recebido pelos homens (R$ 2.579) nesse mesmo grupo etário. Considerando-se a cor ou raça, a proporção de rendimento médio da mulher branca ocupada em relação ao do homem branco ocupado (76,2%) era menor que essa razão entre mulher e homem de cor preta ou parda (80,1%). Ou seja, a mulher tem obstáculos, não só pelo gênero, mas também pela cor de pele.

Para que a evolução conquistada não seja perdida e para que novos marcos sejam atingidos, muitas pessoas e entidades mantêm um trabalho contínuo de fomento e conscientização das questões de gênero. Um exemplo desse apoio é da ONU, que através do ONU Mulheres, se empenha em dar visibilidade às disparidades existentes e criar ferramentas não só para o Brasil, mas para todo o mundo. O ODS 5 (https://nacoesunidas.org/pos2015/ods5/) foi criado para promover a igualdade de gênero.

Existe também o Projeto Ganha-Ganha: Igualdade de Gênero Significa Bons Negócios, que é um programa criado por meio da aliança entre ONU Mulheres, OIT e União Europeia, que busca fortalecer o protagonismo das mulheres no setor privado. Essa iniciativa é implementada em seis países da América Latina e Caribe (ALC) – Argentina, Brasil, Chile, Costa Rica, Jamaica e Uruguai, sendo o escritório da ONU Mulheres Brasil o que atua na coordenação regional – e nos países da União Europeia. (Fonte: http://www.onumulheres.org.br/ganha-ganha/).

Tipos de ocupação

As mulheres são colocadas majoritariamente em trabalhos mecânicos e de pouca perspectiva de evolução de carreira, como destacado pelo IBGE: (..) Considerando-se as ocupações selecionadas, a participação das mulheres era maior entre os Trabalhadores dos serviços domésticos em geral (95,0%), Professores do Ensino fundamental (84,0%), Trabalhadores de limpeza de interior de edifícios, escritórios, hotéis e outros estabelecimentos (74,9%) e dos Trabalhadores de centrais de atendimento (72,2%).

Por isso, celebramos quando uma mulher grávida, como a Cristina Junqueira (co-fundadora do Nubank) aparece na capa da Forbes ou quando outras mulheres são em destaque nos cargos de gestão, porque os números trazem a realidade que as mulheres enfrentam: as organizações não criam condições para acolher diversidade em seus negócios.

Ainda no estudo do IBGE, os dados sobre as desigualdades nos salários apresentam que: (…) No grupo de Diretores e gerentes, as mulheres tinham participação de 41,8% e seu rendimento médio (R$ 4.435) correspondia a 71,3% do recebido pelos homens (R$ 6.216). Já entre os Profissionais das ciências e intelectuais, as mulheres tinham participação majoritária (63,0%) mas recebiam 64,8% do rendimento dos homens.

Quando falamos de alcance de cargos de gestão, a diferença de remuneração também é desproporcional. Veja a tabela a seguir:

No entanto, entre 2018 e 2020, alguns pontos já tiveram evolução, como uma maior participação de mulheres em cargos de diretoria sênior, que antes representava 27% e agora são 34%. Porém, essa melhoria não advém de uma mudança grande, mas de pequenas iniciativas, já que os dados do IBGE indicam ainda uma porcentagem pequena de mulheres nos cargos de gestão.

(…) Para ter uma ideia, quando perguntadas se as empresas brasileiras estão estabelecendo metas ou cotas para o equilíbrio de gênero nos níveis de liderança, apenas 18% das empresas têm essa política, contra 22% na média global, nos outros 31 países pesquisados no estudo.

Outras políticas pesquisadas foram: Vincular a recompensa da alta administração ao progresso nas metas de equilíbrio de gênero, onde o Brasil aparece com 18%, contra a média Global de 23%; Oferecendo treinamentos, no Brasil 21%, contra a média global de 21%; permitindo trabalho flexível, Brasil 28%, contra média global de 31%; criando uma cultura inclusiva, Brasil 30%, contra a média global de 34%; revendo abordagens de recrutamento, Brasil 20%, contra a média global de 26%; fornecendo orientação e treinamento, 33% Brasil, contra 26% na média global; garantir acesso igual a oportunidades de trabalho de desenvolvimento, no Brasil 35%, contra a média global de 34%.

Atitudes e ações

Diante de tantos dados, a reflexão é “O que pode ser feito?” Uma impactante mudança cultural. Quando as políticas partem da alta gestão, elas permeiam toda a empresa e criam um clima de eclosão de iniciativas pontuais de melhoria. E por que as empresas se interessariam em promover este tipo de transformação? Porque, comprovadamente, empresas diversas são mais lucrativas. Empresas com mais mulheres líderes possuem menor turnover e melhores avaliações de clima organizacional.

Temos exemplos positivos de empresas que já compreendem o valor estratégico de mulheres ocupando cargos de gestão. Nelas, se destacam especialmente as ações que permitem:

  • Seleção às cegas (sem viéses) ou ainda a busca ativa pela diversidade na ocupação de vagas;
  • Igualdade de oportunidades para a concorrência de vagas e promoções;
  • Jornada flexível, home office, creche ou outras iniciativas de suporte às mães;
  • Igualdade de remuneração para pessoas que exercem a mesma função.

Olhando por outra perspectiva, o que as mulheres, individualmente, podem fazer para ganharem espaço nos cargos de gestão? Investir na própria carreira!

Uma carreira de sucesso necessita de vários fatores:

  • Ter um plano pessoal de carreira – deixe os objetivos claros para você (e para os outros);
  • Autopromoção – reconheça suas qualidades e conquistas;
  • Influenciar superiores – mantenha uma rede de contatos e crie visibilidade para seus projetos;
  • Delegar – distribua o trabalho mecânico e invista tempo nas iniciativas estratégicas;
  • Não crie bloqueios – acredite que não existem barreiras para o seu sucesso.

Na área de Projetos, busque conhecimentos em:

  • Cursos e certificações sobre Metodologias ágeis;
  • Livros e cursos sobre Comunicação e Programação Neurolinguística;
  • Cursos de idiomas;
  • Aprimoramento de ferramentas de tratamentos e apresentação de informações – Dashboards.

Gerenciamento de Projetos e o PMI

A partir dos dados apresentados, percebemos que a carreira em gestão de projetos não é diferente. Há maior participação de homens em cargos de liderança e a remuneração é menor para mulheres, mesmo que elas possuam um grau de instrução maior (IBGE, 2010: 9,95 homens x 12,5 mulheres).

Para contrapor essa realidade, o PMI Global possui a diretriz de aumentar o número de mulheres em cargos de gerência. Assim, estamos sempre gerando ações que vão contra o status quo.

E como a mudança começa de dentro para fora, a Diretoria de Programas do PMI-MG tem 75% de Gerentes de Projetos mulheres em suas iniciativas. Além de promover anualmente o evento Women Day (http://pmimg.org.br/women-day/): um dia inteiro dedicado à liderança feminina, com uma equipe composta 100% de mulheres.

Essas ofensivas são essenciais, até que atinjamos o cenário ideal, em que cada vez menos o gênero, raça e orientação sexual influenciem decisões de vida profissional e contratação; e cada vez mais as competências, capacidades, atitudes e habilidades sejam o foco no processo de ascensão e sucesso na carreira, em qualquer setor.

Fontes:

https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/23923-em-2018-mulher-recebia-79-5-do-rendimento-do-homem

https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/23923-em-2018-mulher-recebia-79-5-do-rendimento-do-homem

https://diariodocomercio.com.br/dia-internacional-da-mulher/participacao-de-mulheres-em-cargos-de-diretoria-no-brasil-aumenta/

https://www.bloomberg.com/company/press/bloombergs-2020-gender-equality-index-expands-to-include-325-public-companies-globally/

https://www.catho.com.br/carreira-sucesso/colunistas/noticias/mesmo-com-maior-grau-de-escolaridade-mulheres-ganham-menos-que-homens/

https://www.ibge.gov.br/apps/snig/v1/?loc=0&cat=-1,1,2,-2,3,4,13,48,128&ind=4699

Por: Equipe Women Day